Processos Pedogenéticos Específicos diversos
Agradação ou cumulização
O processo de agradação consiste na adição eólica, hidrológica ou humana de partículas minerais à superfície do solo. Quando essas adições são suficientemente lentas e simultâneas a ocorrência de outro PPE predominante, a agradação pode promover o espessamento do perfil.O processo é chamado de cumulização quando há o crescimento ascendente (espessamento) do horizonte A.
Pedoturbação
A pedoturbação é sinônimo de mistura do solo por vários processos, abrangendo desde escalas microscópicas até grandes volumes no desenraizamento de árvores, termiteiros e fluxos de massa na paisagem. A pedoturbação é responsável pela manutenção da macroporosidade e mistura física da MO no solo. A pedoturbação pode ser classificada em:
Proisotrópica: rompem, fundem ou destroem horizontes e/ou impedem sua formação, causando o desenvolvimento de perfis simplificados a partir de perfis mais ordenados (ou mais complexos).
Proanisotrópica: formam ou participam da formação ou preservação de horizontes e/ou causam um incremento geral da ordem no perfil.
A pedoturbação proisotrópica é sinônimo de homogeneização, podendo ocorrer apenas uma parte do perfil ou somente por um breve período de tempo como, por exemplo, a destruição de horizontes por animais escavadores ou pelo desenraizamento de árvores. Os processos proanisotrópicos atuam no sentido oposto: criam ordem (formação de horizontes) nos solos e/ou fortalecem a organização existente. Entretanto, os processos de pedoturbação geralmente contêm ambos os mecanismos, proisotrópicos e proanisotrópicos, simultaneamente com predomínio de um deles. Por exemplo, minhocas podem misturar o material do horizonte O no horizonte A, promovendo simultaneamente a fusão isotrópica dos dois horizontes e o aumento anisotrópico da espessura do horizonte A.
Dentre os a gentes da pedoturbação mais comumente observados estão a fauna do solo e vegetação, produzindo bioturbação. Os campos de murundus exemplificam bem o efeito da bioturbação. A fauna do solo (mamíferos, minhocas, formigas, térmitas e outros) escava o solo na busca de alimentos e abrigo. As principais atividades pedogênicas da fauna do solo incluem o amontoamento, mistura, formação de vazios, formação e destruição de agregados (peds), erosão, influindo nos resíduos vegetais e animais, facilitando a movimentação da água e do ar no solo e controlando o ciclo dos nutrientes. Canais preenchidos com detritos animais com frequência mostram cores contrastantes com a matriz do solo. Minhocas são importantes na formação de agregados estáveis no solo, da macroporosidade e no consumo e mistura de materiais orgânicos no solo mineral. Formigas, térmitas e alguns mamíferos do solo frequentemente constroem amontoamentos superficiais: trazem material do subsolo para a superfície onde é depositado formando montículos, geralmente de textura mais fina e mais ricos em MO e certos elementos químicos.
A bioturbação realizada pelas plantas, também chamada de fitoturbação, consiste na mistura do solo via: (1) expansão das raízes; (2) decomposição e preenchimento dos canais das raízes; e (3) desenraizamento e tombamento, principalmente de plantas arbóreas.
Antrossolização
Há poucos locais na superfície terrestre onde os solos não foram perturbados, transportados, modificados ou construídos de alguma maneira por atividade humana. As ações humanas que modificam e controlam processos de formação do solo são definidas como processos antropogênicos de formação do solo ou antrossolização. Os processos de antrossolização geralmente podem ser agrupados em alterações físicas, hidrológicas e geoquímicas. Exemplos de processos específicos: escavações e deposição do solo, sedimento e rocha, deposição de artefatos (objetos e materiais manufaturados ou modificados por humanos); mistura ou compactação mecânica, aumento do teor de P e MO por meio da agricultura ou descarte de resíduos, proteção contra inundação natural ou artificial e drenagem, erosão acelerada, alteração da reação do solo por adições químicas, e contaminação com poluentes.
Registros arqueológicos de assentamentos humanos antigos frequentemente são identificados pelos levados teores de P no solo, originados pela deposição de lixos domésticos, como ossos e resíduos de cozinha, geralmente conhecidos com “terra preta de índio” (TPI) e encontrados na região amazônica. Os solos da TPI são identificados pela presença de ossos, artefatos de cerâmica, altos teores de P e Ca.
Erosão
A erosão consiste na remoção de material do solo que decorrer da ação hídrica ou eólica. Esta remoção, com ou sem interferência humana, promove a perda de horizontes do perfil do solo e expõe o material à superfície. Por exemplo, com a remoção do horizonte A original, a parte superior do horizonte B exposto à superfície é gradualmente transformada em novo horizonte A (ver melanização). O processo de erosão pode atuar como promotor do rejuvenescimento do solo (pela simplificação do perfil por meio da pedogênese regressiva ou como promotor da degradação do solo (pelo uso e manejo inadequado do solo).
Referências
Kampf, N; Curi, N. VII – Formação e evolução do solo (Pedogênese). In: Ker, JC; Curi, N; Schaefer, CEGR; Vidal-Torrado, P (eds). Pedologia: fundamentos. Viçosa: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, 2012. p. 207-302.
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