Processos pedogenéticos específicos relacionados à matéria orgânica
Os processos pedogenéticos específicos relacionados à adição ou remoção de matéria orgânica são: melanização, leucinização e paludização. Estes processos serão melhor explorados a seguir.
Melanização
O escurecimento do material mineral do solo por meio da adição de matéria orgânica (MO) e húmus é chamado de melanização. Neste processo, os compostos húmicos revestem a superfície dos agregados estruturais e dos grãos minerais conferindo-lhes uma coloração bruno-escura ou preta.
O acúmulo de MO humificada é requisito para a formação do horizonte A no solo, cujo conteúdo de MO resulta no balanço entre produção, decomposição e mistura de substâncias orgânicas, variando ainda conforme a interação entre o clima e a vegetação local. Isto significa que o conteúdo e a distribuição de MO varia amplamente entre os diferentes tipos de solos.
Em ambientes com alta retenção de cátions básicos (principalmente, Ca), a melanização proporciona a formação de horizontes A chernozêmicos. Por outro lado, em ambientes com lixiviação mais intensa e baixa saturação por bases, a melanização formará horizonte A proeminente.
Leucinização
O processo de leucinização é o oposto da melanização, consistindo na remoção dos compostos orgânicos e desenvolvimento de horizonte E com cores claras, por meio de lixiviação. Além da MO, são removidos cátions básicos, acidificando o solo e promovendo uma baixa atividade biológica, as cores claras devem-se aos minerais primários presentes no solo, principalmente o quartzo. A leucinização está, frequentemente, associada ao processo de eluviação.
Paludização
A paludização, processo que promove a formação de depósitos orgânicos pela contínua acumulação de MO, ocorre em locais saturados de água e consiste na acumulação de material orgânico em ambiente redutor anaeróbico desfavorável à biodegradação. Quando a acumulação de material orgânico alcança grandes espessuras, formam-se turfeiras, que podem corresponder aos Organossolos. Nessas situações, o termo muck é aplicado para o material orgânico em avançado estádio de decomposição, enquanto o termo peat designa material orgânico pouco ou não decomposto.
A formação de depósitos orgânicos (turfeiras) inicia-se com a acumulação de plantas aquáticas, com a adição eventual de sedimentos minerais finos. Com a redução da profundidade da água, estabelecem-se plantas superiores tolerantes ao excesso de água. À medida que o material orgânico se acumula no fundo, as raízes emergentes afastam-se da fonte de nutrientes do substrato mineral. Com o aumento da acumulação, eleva-se a capacidade de suporte da vegetação, que pode ser constituída por arbustos e até árvores. Com o estabelecimento da vegetação arbórea, há um rebaixamento do lençol freático e uma diminuição no acúmulo do material orgânico decorrente da sua menor produção.
A acumulação do material orgânico dependerá do crescimento da vegetação e posterior deposição de resíduos e da velocidade de decomposição do material depositado, o qual pode se manter inalterado por longos períodos de tempo (milhares de anos), enquanto são mantidas as condições anaeróbicas do sistema.
Os horizontes orgânicos são caracterizados como horizonte H e podem, conforme o grau de decomposição do material orgânico, apresentar caráter fíbrico (> 2/3 de material fibroso), hêmico (intermediário entre os demais) ou sáprico (< 2/3 de material fibroso).
Referências
Kampf, N; Curi, N. VII – Formação e evolução do solo (Pedogênese). In: Ker, JC; Curi, N; Schaefer, CEGR; Vidal-Torrado, P (eds). Pedologia: fundamentos. Viçosa: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, 2012. p. 207-302.
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